taskscape en el trabajo de Ingold

¿Cómo, entonces, debemos describir las prácticas de trabajo en sus detalles concretos? Para ello voy a adoptar el término «tarea», que se define como cualquier operación práctica, llevada a cabo por un agente hábil en un entorno, como parte de su ocupación normal en la vida. En otras palabras, las tareas son los actos constitutivos del habitar. Y sin embargo están tan poco suspendidas en el vacío como las características del paisaje. Cada tarea toma su significado de su posición dentro de un conjunto de tareas, realizadas en serie o en paralelo, y normalmente por muchas personas que trabajan juntas. Uno de los grandes errores de la antropología reciente – lo que Reynolds (1993: 410) llama «la gran falacia del uso de herramientas» – ha sido la de insistir en la separación entre los dominios de la actividad técnica y social, una separación que nos ha cegado al hecho de que una de las características más destacadas de las prácticas técnicas humanas radica en su arraigo en el curso de la socialidad. Es a todo el conjunto de tareas en su entrelazamiento mutuo a lo que me refiero con el concepto de quehacer. Al igual que el paisaje es un conjunto de rasgos relacionados, así – por analogía – el quehacer es una serie de actividades relacionadas. Y como con el paisaje, es cualitativo y heterogéneo: se puede preguntar de un quehacer, como de un paisaje, cómo es pero no cuánto de él hay. En resumen, el quehacer es al trabajo lo que el paisaje es a la tierra, y de hecho lo que un conjunto de valores de uso es al valor en general. (Ingold. The perception of the environment.2000, p.196)

Del artículo The temporality of landscape como fue recogido en el libro The perception of the environment.

Traducción

quehacer

Discusión de la traducción

Después de muchos intentos con traducción similares a “paisaje de tareas” no satisfactorias, propongo esta traducción porque creo que recoge las intenciones de Ingold al proponer el término. Él mismo explica cómo se arrepintió mucho de haberlo propuesto porque no ve útiles la proliferación de términos como soundscape, y otros *scapes. En una entrevista en Brasil decía:

Bem, provavelmente é porque as pessoas estavam apenas pegando o termo e utilizando-o de forma muito mecânica, mas na verdade existe uma razão mais simples e uma razão mais complicada. A razão simples é que eu, na realidade, invoquei o termo inserido dentro de um argumento, e o propósito de tal invocação foi a demonstração do porquêdele não ser necessário. Ou seja, naquele argumento eu coloquei a distinção entre paisagem e taskscape. O movimento do argumento era o de mostrar como tal distinção é impossível. Se você temporiza a paisagem, então, paisagem e taskscapesão a mesma coisa. Mas é claro que as pessoas leram isto e pensaram: “Isto me parece legal. Bem, então temos aqui uma paisagem e ali uma taskscape“, e acabaram por perder o ponto principal. Quando invoquei o conceito, o fiz para me livrar dele. E então, talvez, trazer à tona um sentido mais dinâmico do que é a paisagem, a qual seria ao mesmo tempo uma taskscape.

Bem, este é um motivo pelo qual me arrependi de ter usado o termo. E o outro é um argumento contra a proliferação do uso destes termos terminados por –scape, eles estão dominando! Já existem ethnoscapes, soundscapes, toda sorte de –scape. Eu passei a pesquisar sobre isto pois estava me perguntando de onde é que vieram estes termos. Acabei descobrindo que historiadores da arte, particularmente, estavam imersos em uma confusão etimológica, enquanto eles pensavam que –scape significava algo relativo a scopic e, portanto, com a idéia de projeção. Na realidade, estes termos vêm de origens muito diferentes: –scape vem de sceppan, que significa “moldar”, e vem de uma raiz germânica do inglês antigo; scope vem de skopos que, por sua vez, significa “mirar” ou “direcionar”, como se faz ao atirar uma flecha, e vem de uma raiz do grego. Então, estes termos não têm nada haver um como o outro. Mas, de qualquer forma, o sentido no qual –scape é utilizado é um no qual a forma está sendo projetada em aparência, e eu tenho tentado me afastar da ideia de projeção e ir em direção à ideia de ajuntamento, aglomeração ou tecelagem, desta forma quero me afastar dos –scapes de forma geral. Portanto, taskscape foi uma escolha ruim de palavra para aquilo que estava tentando transmitir pois estava falando de um entrelaçamento de tarefas. Não sei dizer que palavra eu utilizaria em seu lugar, mas, de qualquer forma, estou utilizando trama agora, trata-se da mesma coisa, mas melhor expressa, devido ao entrelaçamento de diferentes tarefas que acontecendo.

Repercusión del concepto

en construcción

2 comments on “Taskscape: Quehacer

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